Direito imobiliário

Imóvel em Nome de Terceiro: Riscos e Como Passar para o Seu Nome

A NR Advogados Imobiliários orienta quem pagou por um imóvel em São Paulo que está registrado em nome de outra pessoa: um parente ou conhecido que emprestou o nome, o filho em cujo nome o pai comprou, ou um vendedor que nunca chegou a registrar a própria compra. Para a lei, dono é quem está na matrícula: enquanto o título não é registrado, quem consta nela continua a ser havido como dono (art. 1.245, § 1º, do Código Civil).

Mesa de escritório com chaves e caneta, diante da janela com vista para a Ponte Estaiada, em São Paulo
Direito imobiliário

Quem comprou por contrato particular e não registrou tem a página de contrato de gaveta. Aqui ficam os casos em que o nome de outra pessoa foi posto de propósito e a compra de quem não é o dono no registro.

Por que o imóvel está no nome de outra pessoa, e o caminho

SituaçãoCaminhoRegra
Comprou e pagou, mas a escritura saiu no nome de quem emprestou o nomeEscritura do titular para quem pagou, se ele concordar; se não, ação para declarar a simulação e fazer valer a compra realCódigo Civil, art. 167, caput e § 1º, I
Pai ou mãe pagou e pôs o imóvel no nome de um filhoPode valer como doação ao filho, que é adiantamento da herança e se confere no inventárioCódigo Civil, arts. 544 e 2.002
Cônjuge comprou durante o casamento no nome de um terceiroNa comunhão parcial, o bem comprado na constância do casamento entra na comunhão mesmo em nome de um só; em nome de terceiro, é preciso desfazer a aparênciaCódigo Civil, arts. 1.660, I, e 167
Comprou de quem não está na matrícula, porque o vendedor também não registrouRegistrar cada título da cadeia, na ordem, até o último; o cartório não registra pulando um eloLei 6.015/1973, arts. 195 e 237
Imóvel financiado em nome de outra pessoaTransferência do contrato com anuência expressa do banco, ou quitação do saldoLei 9.514/1997, art. 29
Ocupa o imóvel há muitos anos, sem títuloUsucapião, conforme o tempo e a modalidadeCódigo Civil, arts. 1.238 e 1.242

Os riscos enquanto o imóvel está no nome do outro

Quem está na matrícula pode vender o imóvel ou dá-lo em garantia, porque o registro é dele. Mesmo quando há simulação, a lei ressalva os direitos de terceiros de boa-fé que negociaram com ele (art. 167, § 2º, do Código Civil).

Se o titular for casado, ele só aliena o imóvel ou o grava de ônus real com a autorização do cônjuge, exceto no regime da separação absoluta (art. 1.647, I, do Código Civil). A escritura para quem pagou, nesse caso, também depende da assinatura do cônjuge dele.

Se o titular morrer, a herança se transmite desde logo aos herdeiros dele (art. 1.784 do Código Civil), e o imóvel entra no inventário do titular. Quem pagou passa a discutir o direito com o espólio e os herdeiros; os passos do inventário estão na página de advogado para inventário em São Paulo.

Se um credor do titular pedir a penhora, quem tem a posse defende o imóvel por embargos de terceiro (art. 674 do Código de Processo Civil), explicados na página de embargos de terceiro.

Nome emprestado: a simulação

Há simulação quando o negócio aparenta transmitir direitos a uma pessoa diferente daquela a quem realmente se transmitem (art. 167, § 1º, I, do Código Civil). O negócio simulado é nulo, mas subsiste o que se dissimulou, se for válido na substância e na forma (art. 167, caput, do Código Civil).

A forma pesa: para imóvel de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo, a compra exige escritura pública (art. 108 do Código Civil). A nulidade pode ser alegada por qualquer interessado e não convalesce com o tempo (arts. 168 e 169 do Código Civil).

A prova da compra real costuma sair do caminho do dinheiro: transferências da conta de quem pagou para o vendedor, um documento entre quem pagou e o titular, e quem paga IPTU, condomínio e as contas do imóvel desde a compra.

Imóvel posto no nome do filho

A doação de pais a filhos importa adiantamento do que cabe ao filho por herança (art. 544 do Código Civil). No inventário dos pais, os filhos que concorrem à herança precisam conferir o valor das doações recebidas em vida, para igualar as legítimas, sob pena de sonegação (art. 2.002 do Código Civil).

O filho que tem o imóvel no nome é o dono no registro. Se o pai ou a mãe quer o imóvel de volta, ou se os irmãos discutem a divisão, o que se discute é se houve doação e quanto ela pesa na herança, não quem está na matrícula.

Como fazer o primeiro contato

O primeiro contato pode ser pelo WhatsApp (11) 91571-5529 ou pelo telefone (11) 98656-1161, das 9h às 18h. Mande a matrícula atualizada, a escritura ou o contrato de compra, os comprovantes de pagamento e, se houver, qualquer documento assinado com o titular do registro.

O atendimento presencial é na sede, em Moema, com agendamento prévio; o online alcança todo o território nacional e o exterior. Os demais casos de imóvel irregular estão na página de regularização imobiliária, e os canais, na de contato.

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Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Posso comprar um imóvel no nome de outra pessoa?

Quem está na matrícula é o dono perante a lei, mesmo que outra pessoa tenha pago (art. 1.245, § 1º, do Código Civil). Se o titular só emprestou o nome, o negócio é simulado (art. 167, § 1º, I, do Código Civil); se é filho de quem pagou, pode valer como doação e adiantamento da herança (art. 544 do Código Civil).

Comprei um imóvel em nome de outra pessoa. Como passo para o meu nome?

Com o titular de acordo, por escritura dele para quem pagou e o registro dela; se ele for casado, com a autorização do cônjuge, salvo na separação absoluta (art. 1.647, I, do Código Civil). Sem acordo, por ação para declarar a simulação, em que subsiste a compra real se for válida na substância e na forma (art. 167 do Código Civil).

O que acontece se a pessoa em nome de quem está o imóvel morrer?

A herança se transmite desde logo aos herdeiros dela (art. 1.784 do Código Civil), e o imóvel entra no inventário do titular. Quem pagou passa a discutir o direito com o espólio e os herdeiros.

Comprei de quem não estava na matrícula. Consigo registrar?

Só depois de registrado o título anterior: se o imóvel não está em nome de quem vendeu, o cartório exige o registro prévio de cada compra da cadeia (arts. 195 e 237 da Lei 6.015/1973). Quando um elo falta e o vendedor se recusa, o caminho pode ser a adjudicação compulsória ou a usucapião.

Meu pai comprou um imóvel e colocou no meu nome. Isso é herança?

A doação de pais a filhos importa adiantamento da herança (art. 544 do Código Civil). No inventário, o filho confere o valor recebido em vida, para igualar a parte dos irmãos (art. 2.002 do Código Civil).

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