7 Itens do Checklist de Due Diligence Imobiliária que Todo Investidor Precisa Dominar

Investir em imóveis exige mais do que visão de negócio — exige preparação. Antes de qualquer assinatura, existe um passo que separa o investidor estratégico daquele que compra no escuro: a due diligence imobiliária.
O que você vai encontrar neste artigo:
Os 7 pontos fundamentais do checklist jurídico
O que observar em documentos, registros e contratos
Dicas que advogados imobiliários usam para proteger clientes
Como identificar riscos antes que eles se tornem problemas
Vamos direto ao que interessa.
O Que é Due Diligence Imobiliária e Por Que Ela Importa?
Due diligence significa “diligência devida”. No mundo dos negócios imobiliários, representa o conjunto de ações e análises jurídicas preventivas que devem ser realizadas antes da aquisição de um imóvel.
Apenas olhar o imóvel e negociar o preço é um erro clássico. O que parece um excelente negócio pode esconder:
Ações judiciais em curso
Dívidas fiscais e condominiais
Vícios documentais
Cláusulas que anulam o contrato
Segundo o CRECI-SP, mais de 35% dos imóveis usados vendidos no Brasil apresentam algum tipo de pendência documental. Isso é sinal de alerta para qualquer investidor atento.
1. Matrícula Atualizada do Imóvel: O Raio-X da Propriedade
A matrícula do imóvel é o documento mais importante. Ela reúne a história oficial do bem, sua localização, metragem, proprietários, ônus e eventuais disputas.
Verifique com atenção:
Nome do proprietário bate com quem está vendendo?
Existe hipoteca, penhora, usufruto ou alienação?
Há cláusulas impeditivas de venda, como inalienabilidade?
Dica de advogado: solicite a matrícula atualizada nos últimos 30 dias diretamente no cartório.
2. Certidões Pessoais e Jurídicas do Vendedor: Investigue Quem Vende
Você não está comprando apenas um imóvel, mas também o histórico de quem vende. Isso vale para pessoas físicas e jurídicas.
Certidões que não podem faltar:
Cível e criminal
Execuções fiscais
Ações trabalhistas
Protestos de títulos
Falência e recuperação judicial (para empresas)
Exemplo real: um vendedor com processo de execução pode ter seus bens bloqueados judicialmente mesmo após a venda.
3. Situação Fiscal e Tributária do Imóvel: Dívidas Que Podem Te Alcançar
Tributos e encargos em atraso podem acompanhar o novo proprietário. Isso vale para:
IPTU e taxas municipais
Dívidas condominiais (em caso de apartamentos)
Taxas de melhoria urbana
Cheque sempre:
Certidão negativa de débitos da prefeitura
Declaração do síndico sobre a regularidade condominial
Lembre-se: o princípio da responsabilidade real permite cobranças sobre o próprio bem.
4. Zoneamento e Regularidade Urbanística: Não É Só Comprar. É Saber o Que Pode Ser Feito
A regularidade urbanística define o uso legal permitido para aquele terreno ou imóvel. Não basta ter escritura: é preciso saber se ele pode ser utilizado para o fim desejado.
Analise:
Zoneamento e uso do solo
Licenciamento ambiental (se aplicável)
Alvarás de construção, habite-se
Existência de área de proteção ambiental
Mais de 40% dos imóveis urbanos brasileiros possuem algum tipo de irregularidade urbanística. Não seja mais um na estatística.
5. Análise de Contrato: Onde Está o Papel, Está o Risco (ou a Proteção)
O contrato não deve ser apenas assinado. Ele precisa ser compreendido.
Cláusulas críticas:
Prazos e forma de pagamento
Multas e penalidades
Responsabilidade sobre dívidas
Condições suspensivas (por exemplo: só registrar após certidões)
Atenção: cláusulas mal redigidas podem deixar você sem o imóvel e sem reembolso.
6. Cadeia Dominial: Quem Foi o Dono Antes? E Antes Desses?
Nem tudo está na última página da matrícula. A história do imóvel precisa ser traçada.
Cheque:
Se a transmissão de propriedade sempre ocorreu por escritura e registro
Existência de inventários, divórcios, doações ou usucapiões
Procurações vencidas ou revogadas
Um erro em transmissões anteriores pode anular toda a sequência futura.
7. Processos Judiciais e Litígios Envolvendo o Imóvel
Não basta verificar o cartório. Pesquise também no Poder Judiciário.
Recomenda-se consultar:
Tribunal de Justiça do estado do imóvel
Juizados especiais cíveis e da fazenda pública
Ações em nome do imóvel ou dos vendedores
Exemplo comum: herdeiros disputando venda feita por apenas um dos sucessores. Quem compra sem due diligence, perde.
Dicas Rápidas
Desconfie de procurações sem firma reconhecida
Documentos digitalizados devem ser conferidos na fonte
Cada estado tem prazos e modelos diferentes de certidões
Bancos fazem due diligence, mas apenas no que interessa a eles
A Due Diligence é o Olhar Profundo do Investidor Estratégico
Quem compra com base apenas no preço, compra no escuro. Quem avalia juridicamente, compra com clareza, estrutura e segurança.
Este artigo possui caráter informativo e educacional. Não substitui a consulta a um advogado especializado em Direito Imobiliário, que deve ser acionado para análise personalizada de cada caso.
Sobre a NR Advogados Imobiliários: Há 12 anos sendo referência em direito imobiliário, a NR Advogados combina expertise jurídica com atendimento humanizado. Atendimento Online para todo o Brasil e Exterior.
FAQ - Perguntas Frequentes Sobre Checklist de Due Diligence Imobiliária
O que é due diligence imobiliária na prática?
Due diligence imobiliária é o processo de análise técnica e jurídica que ocorre antes da compra de um imóvel. Na prática, envolve revisar documentos, verificar a situação do imóvel e do vendedor, analisar o contrato e identificar riscos que podem impactar a segurança da transação.
Quais documentos são analisados em uma due diligence imobiliária?
Os principais documentos incluem a matrícula atualizada do imóvel, certidões pessoais e jurídicas do vendedor, comprovantes de regularidade fiscal, contrato de compra e venda, alvarás, habite-se e histórico da cadeia dominial. Cada item revela aspectos diferentes da segurança jurídica do negócio.
Por que é importante fazer uma due diligence antes de comprar um imóvel?
Porque muitos imóveis apresentam problemas ocultos que não aparecem em uma visita ou negociação comum. Dívidas, litígios judiciais, pendências fiscais ou cláusulas contratuais mal redigidas podem transformar um investimento promissor em uma dor de cabeça — ou até em perda financeira.
Quem deve fazer a due diligence imobiliária: o comprador ou o advogado?
O comprador é quem solicita, mas a análise técnica deve ser feita por um advogado especialista em direito imobiliário. Isso porque muitos riscos jurídicos exigem interpretação profissional e acesso a fontes específicas, como certidões forenses, registros cartoriais e legislação urbanística.