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5 Riscos de Alugar Imóvel Sem Contrato: Um Guia Prático

5 Riscos de Alugar Sem Contrato Proteja Seu Imóvel Agora
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Alugar um imóvel com um acordo verbal parece mais simples e econômico, pois dispensa a burocracia de um contrato formal. Mas essa facilidade inicial pode esconder sérias complicações jurídicas e financeiras para todos os envolvidos. Compreender que a formalização do aluguel é uma camada de segurança é o primeiro passo para garantir a tranquilidade de locadores e locatários.

Neste artigo, você vai entender:

  • Os principais perigos para o proprietário do imóvel (locador).
  • As maiores vulnerabilidades para quem aluga (inquilino).
  • Por que um acordo verbal não oferece a mesma segurança de um documento.
  • Como um contrato simples pode prevenir conflitos e prejuízos.

O Valor de um Documento: Por que o Acordo Verbal é Arriscado?

Muitas pessoas acreditam que um acordo “de boca”, selado com um aperto de mão, tem a mesma validade de um documento assinado. Legalmente, o contrato verbal de aluguel é reconhecido pela Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91). O grande problema, no entanto, é provar o que foi combinado.

Sem um documento, fica a palavra de um contra a do outro. Imagine a dificuldade de comprovar em um processo o valor exato do aluguel, a data de vencimento ou de quem era a responsabilidade pelo conserto de um vazamento. A ausência de um contrato escrito gera uma grande insegurança jurídica.

Os 5 Maiores Riscos para o Proprietário (Locador)

Para o dono do imóvel, a falta de um contrato de aluguel pode significar a perda de controle sobre seu próprio patrimônio e dificuldades na gestão da locação.

Risco 1: Dificuldade na Retomada do Imóvel

Sem um contrato com prazo determinado, a lei estabelece regras específicas. Em aluguéis verbais residenciais, se o acordo já dura mais de cinco anos ininterruptos, a retomada “imotivada” (sem um motivo justo, como falta de pagamento) pode se tornar mais complexa.

Com um contrato escrito (com prazo de 30 meses, por exemplo), as regras para reaver o imóvel ao final do período são mais claras e diretas, dando mais previsibilidade ao proprietário.

Risco 2: Impossibilidade de Reajustar o Aluguel Conforme o Mercado

Como aplicar o reajuste anual do aluguel se não há um documento que preveja o índice (como o IGP-M ou IPCA) e a data para isso? Sem um contrato, qualquer tentativa de aumento pode ser recusada pelo inquilino.

Para solicitar uma revisão judicial do valor, o proprietário pode ter que esperar até três anos de contrato, o que pode gerar uma defasagem financeira significativa.

Risco 3: Complicações em Caso de Inadimplência

A falta de pagamento do aluguel é uma das maiores preocupações de quem tem um imóvel para alugar. Se o inquilino se torna inadimplente, a ausência de um contrato torna a cobrança e a eventual ação de despejo mais lentas e trabalhosas.

Será preciso primeiro provar a existência da relação de aluguel (com testemunhas, comprovantes de depósito, etc.) para só então iniciar o processo judicial, o que demanda mais tempo e gera custos.

Risco 4: Prejuízos por Danos e Reformas Não Autorizadas

O inquilino danificou o piso ou fez uma alteração na estrutura do imóvel? Sem um laudo de vistoria inicial, que é um anexo essencial do contrato, fica muito difícil provar que o dano foi causado durante a locação.

Da mesma forma, as responsabilidades sobre manutenções e reparos não ficam claras, o que pode gerar discussões sobre quem deve pagar por cada tipo de conserto.

Risco 5: Ausência de Garantias Protetoras

As garantias, como fiador, seguro-fiança ou depósito caução, existem para proteger o proprietário. Sem um contrato formal, essas garantias perdem sua eficácia jurídica.

Como cobrar a dívida de um fiador se não há um documento que ele assinou se responsabilizando? Como usar o valor do depósito para cobrir um dano se não há provas do estado anterior do imóvel? A informalidade enfraquece essas importantes redes de segurança.

Os 5 Maiores Riscos para o Inquilino (Locatário)

Apesar de a lei oferecer certas proteções, o inquilino também fica em uma posição de grande fragilidade sem um contrato formal.

Risco 1: Instabilidade e Risco de um Pedido Súbito de Desocupação

Se o contrato verbal for por prazo indeterminado, o proprietário pode solicitar o imóvel de volta a qualquer momento, desde que conceda um aviso prévio de 30 dias.

Essa falta de um prazo definido impede que o inquilino tenha segurança e estabilidade para planejar sua vida, ficando sempre sujeito a uma mudança inesperada.

Risco 2: Aumentos de Aluguel Imprevisíveis

Da mesma forma que o proprietário não pode impor um reajuste oficial, o inquilino fica exposto a aumentos repentinos e sem um critério claro. O dono do imóvel pode tentar impor um novo valor de um mês para o outro, colocando o locatário em uma situação difícil: aceitar ou procurar outro lugar para morar.

Risco 3: Dificuldade na Comprovação de Residência

Pode parecer um detalhe, mas não ter um contrato de aluguel pode criar obstáculos no dia a dia. Muitas instituições financeiras, lojas e escolas exigem um comprovante de residência formal para realizar cadastros, abrir contas ou efetuar matrículas.

Recibos de aluguel ou contas de consumo nem sempre são aceitos, o que pode gerar transtornos burocráticos.

Risco 4: Responsabilidade pela Manutenção do Imóvel

Um problema no quadro de luz ou uma infiltração na parede são responsabilidade de quem? A lei estabelece que o proprietário deve entregar o imóvel em boas condições de uso. No entanto, sem um contrato que detalhe essas obrigações, exigir os reparos necessários pode se tornar um desafio.

O locador pode demorar a responder ou se recusar a fazer o conserto, e o inquilino pode ter que arcar com o custo ou conviver com o problema.

Risco 5: Dificuldade para Reaver o Depósito Caução

É comum que mesmo em acordos verbais seja exigido um depósito caução como garantia. Ao final da locação, porém, recuperar esse dinheiro pode ser complicado.

O proprietário pode alegar danos ao imóvel para reter o valor, e sem um laudo de vistoria ou um contrato que estabeleça as regras para a devolução, o inquilino terá dificuldade em provar seu direito e reaver a quantia paga.

A Segurança de um Documento: Um Passo Simples para a Tranquilidade

A análise dos riscos mostra que o aluguel sem contrato formal não é vantajoso para nenhuma das partes. A boa notícia é que a solução é mais simples e acessível do que parece.

Um contrato de aluguel bem redigido, contendo os dados do locador e do locatário, a descrição do imóvel, o valor do aluguel, o prazo, o índice de reajuste e as responsabilidades de cada um, já é suficiente para oferecer segurança jurídica. Dedicar um tempo para formalizar o acordo é a maneira mais inteligente de proteger seu patrimônio e seus direitos.

Este artigo possui caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico específico. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas por um advogado.


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FAQ - Perguntas Frequentes Sobre Riscos de Alugar Imóvel Sem Contrato

Os principais riscos envolvem: dificuldade do proprietário em reaver o imóvel ou reajustar o aluguel; complicação na cobrança de dívidas; falta de estabilidade para o inquilino quanto ao prazo da locação; possibilidade de aumentos abusivos; e conflitos sobre danos e responsabilidades de manutenção.

Sim, o contrato verbal é reconhecido pela lei brasileira. A principal desvantagem é a dificuldade de provar os termos que foram acordados (valor, prazo, etc.), o que o torna uma opção arriscada e que pode levar a disputas judiciais.

Se a locação verbal for por prazo indeterminado, o proprietário pode pedir o imóvel de volta, mas precisa notificar o inquilino com 30 dias de antecedência para a desocupação voluntária.

A proteção é muito menor. O proprietário terá que provar a existência do aluguel por outros meios (depósitos, testemunhas) para poder entrar com uma ação de despejo. O processo é mais demorado e complexo do que quando existe um contrato assinado.

Um contrato básico precisa incluir: identificação completa do locador e locatário; descrição do imóvel; valor do aluguel, data de pagamento e índice de reajuste; prazo da locação; e a definição dos direitos e deveres de cada um, como o pagamento de impostos e a responsabilidade por reparos.

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