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Doar Imóvel Para Filhos ou Esperar a Herança? Veja o Que Diz a Lei

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Doar um imóvel para filhos ainda em vida pode ser uma estratégia eficiente de planejamento patrimonial, desde que feita com respaldo legal, cláusulas de proteção e análise individualizada; no entanto, em certos casos, esperar a herança pode oferecer maior equilíbrio sucessório e segurança jurídica para todos os envolvidos.

A decisão ideal depende de múltiplos fatores pessoais, familiares e tributários — e deve sempre ser orientada por um advogado especializado.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que a lei brasileira permite sobre doações em vida

  • Diferença jurídica e prática entre doação e herança

  • Custos e impostos (como o ITCMD) que poucos comentam

  • Cláusulas legais que ajudam a proteger o imóvel e a família

  • Quando doar pode ser vantajoso — e quando não é o melhor caminho

  • Dicas práticas para formalizar a doação de forma segura

O Que a Lei Diz Sobre Doar Imóvel em Vida

Doar um imóvel para um filho é um ato possível, legal e previsto no Código Civil. Especificamente, os artigos 538 a 564 tratam das regras sobre contrato de doação.

A doação, nesse contexto, é a transmissão gratuita de um bem, que deve ser formalizada por meio de escritura pública, registrada no cartório de imóveis.

Mas atenção: a lei protege os demais herdeiros. Se a doação for feita sem observar a chamada legítima, ela pode ser anulada ou contestada no inventário futuro.

A legítima e o limite da doação

Segundo o Código Civil (Art. 1.846), metade dos bens deve ser reservada aos herdeiros necessários — filhos, cônjuge, pais.

Portanto, o proprietário só pode dispor livremente de até 50% do seu patrimônio. Os outros 50% compõem a legítima, que deve ser respeitada mesmo em vida.

Diferença Entre Doação e Herança de Imóvel

Doação

  • Realizada em vida

  • Pode incluir cláusulas que protegem o doador e o bem

  • Pode ser registrada imediatamente

  • Envolve custos como escritura, ITCMD e registro

Herança

  • Só ocorre após o falecimento

  • Passa por processo de inventário (judicial ou extrajudicial)

  • Envolve partilha de bens entre herdeiros

  • Pode ter mais custos, burocracia e tempo

Um ponto importante: herança é sempre coletiva, já a doação pode ser feita para apenas um dos filhos — desde que se respeite a parte legítima dos demais.

Impostos e Custos: ITCMD, Escritura e Registro

Esse é um dos fatores que mais influenciam a decisão.

ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação)

  • Imposto estadual

  • Varia entre 2% e 8% do valor do imóvel, conforme o estado

  • Em SP, a alíquota padrão é 4%

  • Incide tanto na doação quanto na herança

Outros custos da doação

  • Escritura pública: obrigatória para imóveis acima de 30 salários mínimos

  • Registro no cartório de imóveis: para tornar a doação efetiva perante terceiros

E no caso da herança?

  • Além do ITCMD, há custos com advogado, inventário e taxas judiciais

  • O processo pode demorar meses — ou até anos, em casos de litígio

📌 Uma pesquisa da Associação dos Notários e Registradores mostrou que um inventário judicial pode consumir até 20% do valor total do patrimônio, somando impostos, honorários e tempo perdido.

Cláusulas Essenciais Para Doação Segura

Doar um imóvel não significa abrir mão de tudo. A legislação permite que o doador imponha condições e proteções, por meio de cláusulas específicas no contrato de doação.

Principais cláusulas que você deve conhecer:

  • Usufruto vitalício: o doador continua utilizando o imóvel até o fim da vida

  • Inalienabilidade: o donatário (filho) não pode vender o bem

  • Impenhorabilidade: o imóvel não pode ser tomado por dívidas

  • Incomunicabilidade: o bem não entra na partilha em caso de separação conjugal

  • Cláusula de reversão: o imóvel volta para o doador se o donatário falecer

Essas cláusulas são especialmente úteis quando há receio sobre a maturidade do filho, o relacionamento com cônjuges ou riscos patrimoniais.

Como Evitar Conflitos Entre Herdeiros

Muitas famílias enfrentam tensões desnecessárias por falta de planejamento ou transparência.

Dica essencial: se for doar para apenas um filho, formalize tudo com escritura pública e especifique que se trata de adiantamento de legítima.

Outras estratégias para evitar brigas:

  • Faça um testamento alinhado com a doação

  • Converse abertamente com todos os herdeiros

  • Mantenha registro documental de tudo

  • Evite informalidades que abrem brechas jurídicas

Um ponto pouco conhecido: a colação de bens é obrigatória no inventário. Isso significa que o que foi doado em vida será somado na partilha, salvo se houver dispensa expressa (doação por “cota disponível”).

Quando Vale a Pena Doar Imóvel em Vida?

Não existe resposta única. Mas alguns cenários tornam a doação vantajosa:

  • O doador já está em idade avançada e quer organizar sua sucessão

  • Deseja evitar disputas e dar estabilidade ao filho

  • O imóvel tem alta valorização e pode gerar ITCMD mais alto no futuro

  • A família está unida e de acordo com a estratégia

E quando a herança é melhor?

  • Quando há mais de um bem e a partilha ainda não está definida

  • Quando há risco de arrependimento ou mudanças familiares

  • Quando o valor sentimental supera a praticidade

Em alguns casos, o ideal é combinar as estratégias: parte do patrimônio via doação, parte via testamento.

Dicas Práticas Para Formalizar a Doação com Segurança Jurídica

  • Consulte um advogado especializado em direito imobiliário e sucessório

  • Avalie bem o valor do imóvel para cálculo do ITCMD

  • Redija a escritura com todas as cláusulas de proteção necessárias

  • Faça o registro no cartório de imóveis

  • Documente tudo de forma clara e transparente

Além disso, mantenha um planejamento sucessório estruturado. Evite improvisos ou decisões apressadas.

Doar imóvel em vida ou esperar a herança Entenda o que diz a lei, os custos envolvidos e como evitar conflitos entre herdeiros

Conclusão: Doar ou Esperar? O Que Realmente Importa

Doar um imóvel em vida pode ser uma forma inteligente de organizar o patrimônio e proteger os filhos. Mas também pode gerar riscos se não for bem planejado.

A herança, por outro lado, traz a proteção natural da partilha, mas também envolve burocracia e custos.

O ponto central é: cada decisão precisa levar em conta os aspectos jurídicos, familiares e patrimoniais específicos do seu caso.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educacional. Não substitui a consulta individual com um advogado especialista em direito imobiliário e sucessório. Cada caso concreto exige análise técnica profissional conforme a legislação vigente.


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FAQ - Perguntas Frequentes Sobre Doar Imóvel Para Filhos ou Esperar a Herança?

Depende do seu objetivo. A doação permite organizar o patrimônio com mais controle e proteção por meio de cláusulas específicas, como usufruto. Já a herança pode ser mais adequada quando se quer evitar desigualdade entre herdeiros ou preservar a totalidade dos bens até o falecimento. A análise jurídica individual é essencial.

Na doação, incidem o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), escritura pública e registro em cartório. O ITCMD varia de 2% a 8% dependendo do estado. Também é preciso considerar a avaliação correta do imóvel para evitar problemas futuros na partilha.

Sim, especialmente se a doação ultrapassar a parte disponível do patrimônio ou prejudicar a legítima dos herdeiros. Para evitar contestações, é fundamental formalizar a doação com cláusulas claras, respeitar os limites legais e realizar colação no inventário, se for o caso.

Colação é o processo em que os bens doados em vida são considerados na hora da partilha do inventário. Isso evita que um herdeiro receba mais do que os outros de forma desequilibrada. Caso queira dispensar a colação, isso deve ser especificado na escritura como doação da parte disponível.

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