Compra e venda de imóvel

Reforma Tributária em 2026: o que muda para imóveis com o Decreto 12.955

Por NR Advogados ImobiliáriosPublicado em 25/07/2026

Ilustração vetorial da reforma tributária 2026 com o Decreto 12.955 - reduções de 50% e 70% para compra, venda e locação de imóveis em São Paulo

Ponto-chave

Em 29 de abril de 2026, o Decreto 12.955 regulamentou a CBS para o mercado imobiliário. As alíquotas reduzidas estão confirmadas: 50% na venda e 70% na locação. Os redutores sociais seguem valendo: R$ 100 mil por imóvel novo, R$ 30 mil por lote e R$ 600 por mês no aluguel residencial. Os critérios para pessoa física se tornar contribuinte foram detalhados nos artigos 359 a 390. A cobrança começa em 2027, com transição gradual até 2033.

A reforma tributária do consumo entrou na fase decisiva para o mercado imobiliário em abril de 2026. O Decreto 12.955, publicado no dia 29, regulamentou a CBS – a Contribuição Social sobre Bens e Serviços, de competência federal – e dedicou um capítulo inteiro às operações com imóveis.

É o primeiro diploma normativo a detalhar como proprietários, investidores e construtoras serão afetados pelos novos tributos a partir de 2027.

O Decreto 12.955/2026 e o que ele confirmou

O Decreto 12.955 funciona como o regulamento da CBS. Ele não cria novas regras – executa o que a Lei Complementar 214, de janeiro de 2025, já havia estabelecido. Para o mercado imobiliário, os artigos 359 a 390 trazem as regras específicas.

O decreto confirmou os seguintes pontos:

  • Alíquotas reduzidas: 50% para alienação de imóveis e 70% para locação, cessão onerosa e arrendamento (Art. 379)
  • Redutores sociais na venda: R$ 100 mil por imóvel residencial novo e R$ 30 mil por lote residencial (Art. 376)
  • Redutor social na locação: R$ 600 por mês para locação residencial (Art. 377)
  • Permuta: isenção de CBS entre imóveis, com tributação apenas sobre a torna, se houver (Art. 360, §3º, I)
  • Pessoa física contribuinte: mais de 3 imóveis alugados com receita acima de R$ 240 mil por ano, ou mais de 3 imóveis vendidos no ano anterior (Art. 382)
  • Prazos do CIB: 12 meses para capitais e Distrito Federal e 24 meses para os demais municípios, contados de 1º de janeiro de 2025 (Art. 386)

O decreto acrescentou detalhes novos que merecem atenção:

  • Redutor de ajuste (Arts. 369-375): a partir de 2027, cada imóvel de contribuinte terá um valor vinculado composto pelo custo de aquisição corrigido pelo IPCA ou pelo valor de referência do Sinter. Esse redutor diminui a base de cálculo da CBS na venda futura
  • Copropriedade (Art. 381, §§2º-3º): quando apenas um dos coproprietários for contribuinte, a CBS incide só sobre a parte dele
  • Imóvel residencial novo (Art. 376, §1º, III): definido como aquele que nunca foi ocupado ou utilizado. Imóvel com reconstrução integral após demolição total se equipara a novo
  • Permuta com construtora (Art. 360, §§7º-8º): o redutor de ajuste do terreno dado em permuta pode ser aproveitado no imóvel recebido, inclusive em permutas por unidades a construir

O que o decreto não definiu – e ainda está pendente: a alíquota de referência cheia da CBS e do IBS. O valor estimado fica entre 26,5% e 28%, mas a fixação definitiva depende de resolução do Senado Federal, conforme o Art. 18 da Lei Complementar 214/2025. O decreto não altera essa etapa.

Tabela de Parâmetros – Decreto 12.955/2026

Os valores abaixo foram extraídos diretamente do texto do Decreto 12.955, de 29 de abril de 2026, e são os parâmetros aplicáveis às operações imobiliárias a partir de 2027:

ParâmetroValorBase Legal
Redução de alíquota – alienação de imóveis50%Art. 379, Decreto 12.955/2026
Redução de alíquota – locação, cessão onerosa e arrendamento70%Art. 379, parágrafo único, Decreto 12.955/2026
Redutor social – imóvel residencial novoR$ 100.000,00 por imóvelArt. 376, Decreto 12.955/2026
Redutor social – lote residencialR$ 30.000,00 por loteArt. 376, Decreto 12.955/2026
Redutor social – locação residencialR$ 600,00 por imóvel/mêsArt. 377, Decreto 12.955/2026
Limite PF contribuinte – locação>3 imóveis e receita >R$ 240.000/ano (cumulativo)Art. 382, I, Decreto 12.955/2026
Limite PF contribuinte – venda>3 imóveis no ano anterior (ou 4ª venda no próprio ano)Art. 382, II e §1º, I, Decreto 12.955/2026
Permanência no patrimônio (venda)Imóvel há menos de 5 anosArt. 382, §2º, Decreto 12.955/2026
Prazo CIB – capitais e DF12 meses (encerrou em janeiro de 2026)Art. 386, I, Decreto 12.955/2026
Prazo CIB – demais municípios24 meses (até janeiro de 2027)Art. 386, II, Decreto 12.955/2026
Permuta entre imóveisIsenta de CBS, exceto sobre a tornaArt. 360, §3º, I, Decreto 12.955/2026
Alíquota de referência estimada (CBS + IBS)26,5% a 28%Estimativa – aguarda resolução do Senado Federal (Art. 18, LC 214/2025)

Todos os valores são atualizados mensalmente pelo IPCA ou por índice que vier a substituí-lo, conforme os artigos 376, §4º e 377, parágrafo único, II, do Decreto 12.955. O limite de R$ 240 mil também é reajustado (Art. 382, §4º).

Aluguel de Imóveis

Quem paga CBS sobre aluguel?

O Art. 382, I, do Decreto 12.955 estabelece um critério duplo e cumulativo: a pessoa física só se torna contribuinte quando ultrapassa as duas condições ao mesmo tempo.

Não paga CBS se:

  • Tem até 3 imóveis alugados, independentemente do valor da receita
  • A receita total com aluguel no ano anterior foi de até R$ 240.000,00, mesmo tendo mais de 3 imóveis
  • Aluga um único imóvel, ainda que por valor elevado

Passa a pagar CBS se, no ano anterior:

  • Teve receita de aluguel acima de R$ 240.000,00 e mais de 3 imóveis distintos alugados (Art. 382, I, “a” e “b”)
  • No próprio ano, a receita com aluguel exceder em 20% o limite de R$ 240 mil, mantido o critério de mais de 3 imóveis (Art. 382, §1º, III)

O Imposto de Renda sobre aluguel continua normalmente. A CBS é um tributo adicional, não substituto do IR.

Quanto se paga sobre aluguel?

O Art. 379, parágrafo único, confirma a redução de 70% na alíquota para locação, cessão onerosa e arrendamento. Se a alíquota cheia for confirmada em 26,5%, a alíquota efetiva para locação cai para 7,95%.

Some-se a isso o redutor social do Art. 377: R$ 600,00 por imóvel, por mês, deduzidos da base de cálculo para locação residencial. O valor é atualizado pelo IPCA.

Exemplo: um contribuinte com cinco imóveis alugados a R$ 4.200 cada. Receita anual: R$ 252.000 (acima do limite de R$ 240 mil). Redutor social: R$ 600 x 5 imóveis = R$ 3.000 por mês (R$ 36.000 ao ano). Na base mensal de R$ 21.000, o redutor de R$ 3.000 reduz a base para R$ 18.000. Sobre esse valor aplica-se a alíquota de locação com 70% de redução.

Aluguel de temporada

Aluguéis de até 90 dias em plataformas digitais são tratados como serviços de hotelaria, conforme o Art. 361 do Decreto 12.955. Esses valores entram nos limites do Art. 382 para enquadramento como contribuinte.

Para imóveis no litoral ou em destinos turísticos, é importante avaliar se a receita de temporada, somada a outros aluguéis, pode ultrapassar os limites de enquadramento.

Compra e Venda de Imóveis

Quem paga CBS na venda?

A CBS sobre venda de imóveis não afeta quem vende um ou dois imóveis ocasionalmente. O enquadramento depende da quantidade e da frequência.

Você paga CBS se:

  • Vendeu mais de 3 imóveis distintos no ano anterior (Art. 382, II)
  • No próprio ano, está realizando a 4ª venda ou mais (Art. 382, §1º, I)
  • Vendeu mais de 1 imóvel construído por você nos últimos 5 anos (Art. 382, III)
  • Em todos os casos, os imóveis precisam estar no seu patrimônio há menos de 5 anos (Art. 382, §2º)

Você não paga CBS se:

  • Vende até 3 imóveis por ano e não se enquadra nos demais critérios
  • O imóvel está no seu patrimônio há 5 anos ou mais
  • É a venda da sua residência (a aquisição e o fornecimento de bens não relacionados à atividade econômica seguem as regras de não contribuinte – Art. 4º, §6º)

ITBI e Imposto de Renda sobre ganho de capital continuam devidos normalmente. A CBS é um tributo adicional sobre o consumo, não um imposto sobre a renda ou sobre a transmissão.

Como se calcula a CBS na venda?

O cálculo segue estas deduções:

  1. Valor da operação de alienação (Art. 364, I)
  2. Menos o redutor de ajuste (Arts. 369-375): custo de aquisição atualizado pelo IPCA ou valor de referência do Sinter
  3. Menos o redutor social de R$ 100 mil por imóvel residencial novo ou R$ 30 mil por lote, quando cabível (Art. 376)
  4. Sobre a base resultante, aplica-se a alíquota reduzida em 50% (Art. 379)

Exemplo prático: um imóvel residencial novo de contribuinte, adquirido por R$ 500 mil e vendido por R$ 700 mil. O cálculo da CBS não parte do ganho de R$ 200 mil.

  • Valor da operação: R$ 700 mil
  • Redutor de ajuste (custo de aquisição atualizado): R$ 500 mil
  • Redutor social (imóvel novo): R$ 100 mil
  • Base de cálculo: R$ 100 mil
  • Alíquota reduzida em 50%: se a alíquota de referência for 26,5%, a alíquota efetiva será 13,25%
  • CBS devida: R$ 13.250,00

O ganho de capital (R$ 200 mil) é conceito do Imposto de Renda e segue devido separadamente.

Redutor de ajuste: a memória de custo do imóvel

A partir de 2027, cada imóvel de contribuinte terá um redutor de ajuste vinculado (Art. 369). O valor inicial corresponde ao custo de aquisição corrigido pelo IPCA (Arts. 370 e 375). Esse redutor é mantido mesmo quando o imóvel é vendido para outro contribuinte do regime regular, e é extinto quando vendido para não contribuinte (Art. 371).

Atenção: guarde comprovantes de compra, recibos de ITBI, documentos de reformas e benfeitorias. São esses registros que fundamentam o redutor de ajuste e os valores que podem ser acrescidos a ele.

Permuta de Imóveis

Como funciona a tributação da troca

Permuta é a troca de imóveis – comum em negociações com construtoras ou para “trocar em maior”. O Decreto 12.955 confirmou a regra mais favorável para esse tipo de operação.

A permuta pura – sem dinheiro envolvido – não paga CBS (Art. 360, §3º, I). Apenas a torna, se houver diferença em dinheiro, é tributada.

Regras novas introduzidas pelo decreto:

  • O redutor de ajuste do imóvel dado em permuta pode ser mantido e aproveitado no imóvel recebido (Art. 360, §7º, I)
  • Em permutas com construtoras (terreno por unidades a construir), o redutor de ajuste é aplicado proporcionalmente à fração ideal das unidades permutadas (Art. 360, §7º, II)
  • Se a permuta envolver um contribuinte e um não contribuinte, o não contribuinte não constitui redutor de ajuste, e o contribuinte tem regras específicas para calcular o seu (Art. 360, §8º)
  • Qualquer contraprestação diferente de imóvel e dinheiro está sujeita à tributação pelo regime regular (Art. 360, §4º)

Permuta vs. venda + compra

Do ponto de vista tributário, a permuta continua vantajosa. Vender um imóvel e depois comprar outro significa que a venda pode ser tributada. Permutar diretamente mantém a isenção de CBS sobre a operação principal.

A documentação precisa estar correta, especialmente em permutas com construtoras. Um advogado com experiência em direito imobiliário pode auxiliar na estruturação adequada.

Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB)

O identificador único do imóvel

O CIB funciona como um “CPF do imóvel” – um código único de identificação no Sinter (Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais). Toda propriedade urbana e rural receberá esse código.

O Art. 386 do Decreto 12.955 fixou prazos contados de 1º de janeiro de 2025:

PrazoQuemVencimentoSituação
12 mesesÓrgãos federais, cartórios, capitais e Distrito FederalJaneiro de 2026Prazo encerrado
24 mesesÓrgãos estaduais e demais municípiosJaneiro de 2027Em curso

O que muda com o CIB:

  • Toda transação imobiliária será vinculada ao CIB do imóvel
  • O CIB deve constar obrigatoriamente dos documentos de obra expedidos pelo município (Art. 385, §2º)
  • A inscrição é automática: alimentada por cartórios, prefeituras e INCRA
  • O CIB serve de base para o valor de referência do imóvel, usado pela fiscalização (Art. 366)

A recomendação é verificar se os dados do seu imóvel estão corretos no sistema. Divergências entre o valor declarado e o valor de referência podem gerar questionamentos.

Pagamento e Devolução

Pagamento dividido automático

O sistema de pagamento dividido (split payment) funciona assim: no momento da transação, a instituição financeira separa automaticamente o valor do tributo e o repassa ao Fisco. O vendedor ou locador recebe o valor líquido.

Para imobiliárias e administradoras de imóveis, o sistema exige adaptação nos controles de recebimento. A vantagem é a transparência: o adquirente sabe exatamente quanto de CBS está na operação.

Devolução para famílias de baixa renda

O mecanismo de devolução de tributos (cashback) restitui parte dos valores pagos para famílias inscritas no CadÚnico. O valor pode ser creditado em conta ou abatido de contas de consumo (luz, água). Para famílias em situação de vulnerabilidade, a devolução reduz o impacto da CBS sobre a moradia.

Pessoa Física ou Pessoa Jurídica

Quando faz sentido ter uma empresa

Com a reforma, a decisão entre manter imóveis como pessoa física ou constituir uma empresa ganhou importância estratégica. A diferença principal: pessoas jurídicas no regime regular podem apropriar créditos de CBS nas aquisições relacionadas à atividade; pessoas físicas contribuintes também podem, mas o volume de créditos costuma ser menor.

Pessoa jurídica pode ser adequada para:

  • Quem tem múltiplos imóveis para alugar e ultrapassa os limites do Art. 382
  • Quem compra e vende imóveis com frequência
  • Construtoras e incorporadoras

Pessoa física pode ser adequada para:

  • Quem tem até 3 imóveis alugados e receita abaixo de R$ 240 mil por ano
  • Quem vende até 3 imóveis por ano, mantidos no patrimônio há 5 anos ou mais
  • Quem tem um ou dois imóveis para morar e alugar esporadicamente

Holdings patrimoniais

Holdings familiares são estruturas usadas para organizar patrimônio imobiliário e planejar sucessão.

Com as novas regras, é importante revisar:

  • Transferências não onerosas ou abaixo do valor de mercado dentro da holding podem ser tributadas (Art. 5º, I, Decreto 12.955)
  • A CBS incide sobre operações com ativo não circulante, mesmo fora da atividade habitual (Art. 4º, §4º)

Um advogado com experiência em direito imobiliário e planejamento patrimonial pode avaliar ajustes necessários.

Construtoras e Imóveis Novos

Regime Especial de Tributação (RET)

Atualmente as construtoras usam o RET, pagando 4% de tributos federais sobre a receita. No programa Minha Casa Minha Vida, a alíquota cai para 1%.

Com a reforma, a transição funciona assim:

  • Incorporações com opção pelo RET efetivada antes de 1º de janeiro de 2029 podem optar pelo recolhimento de IBS e CBS em montante equivalente a 2,08% da receita mensal recebida, ou 0,53% para empreendimentos do MCMV (Art. 485, LC 214/2025)
  • A opção é irretratável
  • Após 2029, o setor migra para a alíquota cheia com redução de 50% (Art. 379, Decreto 12.955)

Impacto no preço dos imóveis novos

A construção civil é intensiva em mão de obra, e a folha de pagamentos não gera crédito de CBS. Com menos créditos para abater, a carga tributária efetiva tende a ser maior do que a alíquota nominal reduzida.

Estimativa: imóveis novos podem ter aumento de custo entre 5% e 15% após o fim da transição, em 2029. Para o consumidor final que não é contribuinte e portanto não aproveita créditos, o tributo é custo integral.

Quem pretende comprar imóvel novo: contratos assinados durante a transição (até 2028) tendem a ter carga tributária menor. Imóveis do MCMV mantêm vantagens, com a alíquota de 0,53% na transição.

Calendário da Reforma Tributária para Imóveis

PeríodoO que acontece
2025Publicação da LC 214/2025 (janeiro). CIB entra em funcionamento.
2026Decreto 12.955 regulamenta a CBS para imóveis (abril). Ano de testes. Cruzamento de dados define quem será contribuinte em 2027. Imóveis adquiridos até 31/12/2026 podem usar valor de aquisição como base do redutor de ajuste.
2027Início da cobrança para contribuintes do regime regular. IBS e CBS passam a incidir sobre vendas e locações de quem se enquadrou. Alíquotas sobem gradualmente.
2027-2028Transição do RET para construtoras: alíquota de 2,08% (geral) ou 0,53% (MCMV) para quem optou antes de 2029.
2029Fim da transição para construtoras. Alíquota cheia com redução de 50%. CBS e IBS substituem integralmente PIS/Cofins (federais) e ICMS/ISS (estaduais/municipais) para o setor.
2033Aplicação integral do novo sistema. Fim da transição gradual.

O que fazer em 2026

Organize agora:

  • Documentos de aquisição de todos os imóveis (escritura, ITBI, comprovantes de reformas)
  • Contratos de locação ativos
  • Levantamento da quantidade de imóveis no seu patrimônio e tempo de posse

Avalie com atenção:

  • Se sua receita de aluguel ou frequência de vendas está próxima dos limites do Art. 382
  • Se a estrutura atual (PF ou PJ) continua adequada para o cenário pós-2027
  • Se operações planejadas para 2027 em diante devem ser antecipadas

Cada situação tem particularidades que exigem análise individualizada.

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Área de atuação

Compra e venda de imóvel

Análise de contrato, matrícula e financiamento para quem vai comprar ou vender imóvel em São Paulo.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O Decreto 12.955 mudou alguma coisa em relação ao que a LC 214/2025 já dizia?

O decreto não alterou as regras de fundo – ele as detalhou. A LC 214 já previa as alíquotas reduzidas e os redutores sociais. O Decreto 12.955 acrescentou as regras operacionais: como calcular o redutor de ajuste, o que acontece com a permuta entre contribuinte e não contribuinte, os prazos exatos do CIB, a definição de imóvel residencial novo e o funcionamento da copropriedade. Na prática, o decreto trouxe a segurança jurídica que faltava para aplicar as regras.

Quem tem 4 imóveis alugados que somam R$ 150 mil por ano paga CBS?

Não. O Art. 382, I, exige que as duas condições sejam atendidas simultaneamente: mais de 3 imóveis distintos e receita anual acima de R$ 240 mil. Quem tem 4 imóveis mas receita de R$ 150 mil não ultrapassa o limite financeiro e, portanto, não é contribuinte da CBS sobre aluguel.

Vendi 2 imóveis no ano passado que estavam no meu nome há 7 anos. Pago CBS?

Não. O Art. 382, §2º estabelece que, para fins de enquadramento, os imóveis precisam estar no patrimônio há menos de 5 anos. Imóveis mantidos por 5 anos ou mais não contam para o limite de 3 imóveis que define o contribuinte.

Vale a pena criar uma empresa para administrar meus imóveis por causa da reforma?

Depende do volume e da estrutura. Uma pessoa jurídica no regime regular pode se creditar da CBS paga nas aquisições relacionadas à atividade (manutenção, reformas, administração), o que a pessoa física contribuinte também pode, mas com limitações práticas. A decisão envolve não só a CBS, mas também IRPJ, CSLL, obrigações contábeis e custos de manutenção da empresa. Não há resposta única – é necessário avaliar o caso concreto.

O que acontece se eu não fizer nada em 2026?

Você continuará sendo tributado pelas regras atuais (IR sobre aluguel e ganho de capital, ITBI na compra). A partir de 2027, se você se enquadrar como contribuinte, a CBS passa a ser devida. A recomendação para 2026 é organizar a documentação dos imóveis e avaliar se sua situação está próxima dos limites de enquadramento. Quem comprou imóvel até 31 de dezembro de 2026 pode usar o valor de aquisição corrigido como redutor de ajuste – um benefício que merece atenção no planejamento.

A CBS substitui o Imposto de Renda sobre aluguel e ganho de capital?

Não. A CBS é um tributo sobre o consumo (substitui PIS e Cofins). O Imposto de Renda sobre aluguéis e ganho de capital continua sendo devido, assim como o ITBI nas transmissões onerosas de imóveis. São tributos diferentes, com fatos geradores diferentes, e a incidência de um não exclui a do outro.

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