5 Passos Essenciais para o Fracionamento de Terreno

Muitas pessoas possuem um terreno grande e pensam em dividi-lo, seja para vender uma parte, construir para um filho ou simplesmente organizar o patrimônio.
No entanto, o processo para dividir um imóvel, conhecido como fracionamento de terreno, exige uma série de cuidados técnicos e legais que, se ignorados, podem causar grandes dores de cabeça e prejuízos.
Por isso, seguir o caminho correto desde o início é fundamental para garantir a segurança jurídica do seu bem.
Neste guia, você vai aprender de forma clara e direta:
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A diferença fundamental entre fracionamento, desmembramento e loteamento.
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Os 5 passos essenciais para dividir seu terreno legalmente.
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Quais profissionais você precisa contratar.
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Os documentos mais importantes em cada etapa.
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O que fazer após a aprovação do fracionamento.
Fracionamento, Desmembramento ou Loteamento? Entenda a Diferença
Antes de detalhar os passos, é crucial entender esses três termos, que são frequentemente confundidos. A forma como seu terreno será dividido define qual procedimento seguir.
Fracionamento
O fracionamento é a divisão de uma área em lotes sem a criação de novas ruas ou a alteração das ruas já existentes. É um processo mais simples, geralmente aplicado a terrenos que já têm frente para uma via pública oficial.
Desmembramento
É muito parecido com o fracionamento. A Lei nº 6.766/79, que regula o parcelamento do solo urbano, define desmembramento como a subdivisão de uma gleba (uma área de terra) em lotes, com aproveitamento do sistema viário existente. Na prática, para o proprietário, o processo é quase idêntico ao do fracionamento.
Loteamento
Aqui a história é diferente. O loteamento acontece quando a divisão do terreno exige a abertura de novas ruas ou o prolongamento das que já existem. É um projeto muito mais complexo, com mais exigências da prefeitura, como a criação de áreas públicas (para praças, por exemplo).
Este artigo foca no fracionamento e desmembramento, que são as situações mais comuns para proprietários de imóveis urbanos.
Passo 1: Consulta Prévia na Prefeitura
O primeiro passo, antes mesmo de contratar qualquer profissional, é ir até a prefeitura da sua cidade.
Essa consulta inicial é fundamental para saber se o seu plano é viável segundo as leis municipais.
Por que essa consulta é o ponto de partida?
Cada município tem suas próprias regras sobre o uso e a ocupação do solo. A prefeitura irá informar:
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O tamanho mínimo do lote: Você não pode criar lotes do tamanho que quiser. Existe uma metragem mínima que deve ser respeitada.
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A testada mínima: É a largura mínima que o novo lote deve ter de frente para a rua.
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O zoneamento: A sua área pode ser exclusivamente residencial, comercial, mista ou industrial, o que influencia o que pode ser construído ali.
Ir à prefeitura primeiro evita que você gaste dinheiro com um projeto que será negado logo de cara.
O que é o Plano Diretor?
Você provavelmente ouvirá falar do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento. Pense neles como o “manual de regras” da cidade.
É nesses documentos que estão todas as normas sobre tamanho de lote, regras de construção e o que é permitido em cada bairro.
Documentos para a consulta inicial
Geralmente, você precisará levar:
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O número de inscrição imobiliária do terreno (o número do IPTU).
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A matrícula do imóvel (se tiver).
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Um rascunho ou esboço de como você pretende fazer a divisão.
Passo 2: Contratação de um Profissional Habilitado
Com o “sinal verde” da prefeitura, o próximo passo é contratar um técnico para elaborar o projeto.
A lei exige que o projeto de fracionamento seja feito e assinado por um profissional qualificado.
Quem pode fazer o projeto de fracionamento?
Normalmente, os profissionais habilitados são:
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Engenheiro Civil ou Agrimensor: Especialistas em medições de terra e projetos de divisão.
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Arquiteto e Urbanista: Também qualificados para realizar esse tipo de projeto.
Esse profissional será responsável por emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). Esse documento é a garantia de que um técnico está se responsabilizando pelo projeto.
O que é a Planta e o Memorial Descritivo?
O profissional irá criar dois documentos principais:
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Planta do Terreno: É o desenho técnico que mostra a área total, as medidas exatas, as divisas e como ficarão os novos lotes após o fracionamento, com todas as suas dimensões.
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Memorial Descritivo: É um documento escrito que “narra” o que está na planta. Ele descreve em detalhes, com medidas e coordenadas geográficas, os limites do terreno original e de cada um dos novos lotes que serão criados.
Pense na planta como a “foto” e no memorial descritivo como a “certidão de nascimento” detalhada de cada lote.
Passo 3: Aprovação do Projeto na Prefeitura
Com a planta e o memorial descritivo em mãos, é hora de voltar à prefeitura para aprovar o projeto oficialmente.
Você dará entrada em um processo administrativo, apresentando todos os documentos exigidos pelo município.
Análise técnica e legal do município
Os técnicos da prefeitura irão analisar seu projeto para verificar se ele cumpre todas as regras do Plano Diretor e da legislação municipal.
Eles vão conferir se os novos lotes têm o tamanho e a testada mínima, se o acesso a eles é adequado e se tudo está conforme a lei.
Possíveis exigências e ajustes
É comum que a prefeitura peça alguns ajustes no projeto. Pode ser uma pequena mudança de medida ou a inclusão de alguma informação.
O profissional que você contratou fará essas correções até que o projeto esteja 100% de acordo com as normas.
A emissão da certidão de aprovação
Após a análise e eventuais ajustes, a prefeitura emite a Certidão de Aprovação do Fracionamento (o nome pode variar de cidade para cidade).
Este documento é a prova de que o município autorizou a divisão do seu terreno. Guarde-o com muito cuidado, pois ele é indispensável para o próximo passo.
Passo 4: Registro no Cartório de Imóveis
Com a aprovação da prefeitura em mãos, o próximo destino é o Cartório de Registro de Imóveis (CRI) da sua região.
É neste momento que a divisão do terreno se torna oficial e legal perante a lei e a sociedade.
O papel do Cartório de Registro de Imóveis
O cartório é o guardião da história jurídica dos imóveis. É ele quem mantém o registro de quem é o dono, se há dívidas, etc.
O fracionamento só existe de verdade quando ele é registrado na matrícula do imóvel.
Documentos necessários para o registro
Você precisará apresentar ao cartório um conjunto de documentos, que geralmente inclui:
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A certidão de aprovação emitida pela prefeitura.
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A planta e o memorial descritivo (aprovados e assinados).
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A ART ou RRT do profissional responsável.
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Certidões negativas de débitos do imóvel (IPTU, por exemplo).
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Seus documentos pessoais.
Abertura das novas matrículas
O cartório fará o seguinte:
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Averbação na Matrícula Original: Ele vai “anotar” na matrícula mãe (a do terreno original) que ela foi encerrada porque o terreno foi fracionado.
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Abertura de Novas Matrículas: Para cada novo lote criado, o cartório abrirá uma matrícula nova e individual.
A partir deste momento, você terá documentos separados para cada pedaço do terreno, cada um com seu próprio “RG”. Agora eles existem como imóveis independentes.
Passo 5: Atualização Cadastral e Pós-Registro
Muitos pensam que o processo acaba no cartório, mas há um último passo administrativo importante.
Você precisa informar à prefeitura que o terreno foi oficialmente dividido.
Cadastro na Prefeitura para o IPTU Individual
Com as novas matrículas em mãos, volte à prefeitura e solicite a atualização do cadastro imobiliário.
Isso fará com que a prefeitura crie um número de inscrição (cadastro de IPTU) para cada novo lote. A partir do ano seguinte, o IPTU virá separado para cada um deles.
Esse passo é crucial para evitar cobranças indevidas e manter sua situação fiscal regularizada.
O que fazer com as novas matrículas?
Agora que cada lote tem sua própria matrícula, eles são imóveis independentes. Você pode:
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Vender um dos lotes.
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Transferir para o nome de um herdeiro.
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Construir em um deles e manter o outro como está.
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Usá-los como garantia em financiamentos.
A segurança jurídica está estabelecida.
Seu Terreno Fracionado: O Próximo Passo para a Segurança Jurídica
Realizar o fracionamento de um terreno pode parecer um processo longo e burocrático, mas seguir esses cinco passos essenciais é o único caminho para garantir que tudo seja feito corretamente. Tentar pular etapas ou usar “jeitinhos” pode resultar na impossibilidade de registrar os novos lotes, multas e problemas legais que se arrastam por anos.
Investir tempo e recursos para fazer o processo da forma certa, com o apoio de bons profissionais técnicos e a orientação jurídica de um advogado imobiliário, não é um custo, mas sim uma proteção ao seu patrimônio. Com as novas matrículas em mãos, você tem a tranquilidade de saber que seus imóveis estão regularizados e prontos para o futuro.
Este artigo possui caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico específico. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas por um advogado.
NR Advogados Imobiliários | Apoio jurídico em questões imobiliárias.
FAQ - Perguntas Frequentes Sobre Passos Essenciais para o Fracionamento de Terreno
1. Quais são os 5 passos essenciais para o fracionamento de terreno?
Os 5 passos são: 1) Fazer a consulta prévia na prefeitura; 2) Contratar um profissional técnico habilitado (engenheiro ou arquiteto); 3) Aprovar o projeto de fracionamento na prefeitura; 4) Levar a aprovação para registro no Cartório de Registro de Imóveis; 5) Atualizar o cadastro na prefeitura para gerar IPTU individual para os novos lotes.
2. Quanto custa para fracionar um terreno?
Os custos variam muito. Envolvem os honorários do profissional técnico (engenheiro/arquiteto), as taxas da prefeitura para análise e aprovação do projeto, e os custos do Cartório de Registro de Imóveis (emolumentos), que são tabelados por estado e baseados no valor do imóvel.
3. Preciso de um advogado para fazer o fracionamento?
Embora não seja obrigatório para todas as etapas, o acompanhamento de um advogado especialista em direito imobiliário é recomendável. Ele pode orientar sobre a legalidade do processo, analisar contratos, revisar a documentação e assegurar que todos os aspectos legais sejam cumpridos corretamente, garantindo a validade do ato.
4. Qual o tamanho mínimo para dividir um terreno?
Não há uma resposta única. O tamanho mínimo de cada lote após a divisão é definido pela Lei de Zoneamento e pelo Plano Diretor de cada município. Por isso, a consulta prévia na prefeitura (Passo 1) é o passo mais importante para saber essa informação.
5. Quanto tempo demora o processo de fracionamento?
O tempo total pode variar de alguns meses a mais de um ano. Depende da agilidade da prefeitura em analisar o projeto, da complexidade do fracionamento e da rapidez com que você e o profissional contratado reúnem e apresentam a documentação em cada etapa.