Vai Comprar ou Vender um imóvel? Confira o artigo: Compra e Venda de Imóveis no Brasil: Guia Completo do Processo Legal.
Comprar imóvel em leilão pode representar economia de até 40% em relação ao valor de mercado, mas também esconde armadilhas que transformam oportunidades em prejuízos devastadores.
Em 2026, com mais de 180 mil imóveis disponíveis em leilões no Brasil e o crescimento acelerado dos leilões digitais, milhares de brasileiros consideram essa alternativa de investimento.
No entanto, a maioria desconhece os riscos que podem custar muito mais do que a economia inicial.
Neste guia você vai descobrir:
- Os 10 principais riscos ao arrematar imóveis em leilão
- Como identificar débitos ocultos e problemas documentais
- Checklist completo para verificar antes de dar seu lance
- Cálculo real dos custos envolvidos na arrematação
- Quando vale a pena assumir os riscos
- Como contar com proteção jurídica adequada em cada etapa
O Mercado de Leilões de Imóveis em 2026
O mercado de leilões imobiliários passa por transformação significativa em 2026. A digitalização acelerou o acesso, permitindo que qualquer pessoa participe de leilões pela internet, sem sair de casa. Essa facilidade aumentou a concorrência, mas também expôs compradores inexperientes a riscos que antes eram conhecidos apenas por investidores profissionais.
Os leilões de imóveis acontecem quando um bem é penhorado em processos judiciais como execução de dívidas, inventários ou divórcios, ou quando bancos retomam propriedades de devedores inadimplentes. O processo segue etapas rígidas: publicação do edital, período de visitação quando permitido, dia do leilão e prazo para pagamento.
O arrematante vencedor precisa quitar o valor em até 24 horas em muitos casos, sob pena de perder o lance e ainda pagar multa. A atratividade está no desconto, já que imóveis podem ser arrematados por 50% a 70% do valor de mercado no primeiro leilão. Se não houver interessados, um segundo leilão aceita lances ainda menores. Mas esse desconto só se justifica se você conhecer todos os custos e riscos envolvidos.
Os 10 Principais Riscos ao Comprar Imóvel em Leilão
Conhecer os riscos antes de participar de um leilão é a diferença entre fazer um bom negócio e entrar em uma cilada financeira. Cada risco tem consequências específicas que podem inviabilizar completamente o investimento.
Débitos que Grudam no Imóvel
Certos débitos permanecem vinculados ao imóvel independentemente de quem seja o proprietário. É como comprar um carro que vem com multas já embutidas no chassi. O novo dono herda essas dívidas automaticamente.
Débitos que são transferidos incluem IPTU atrasado que pode acumular anos de dívida, taxas de condomínio pendentes, contribuição de melhoria referente a obras públicas na região, multas ambientais vinculadas ao imóvel e taxas de lixo e iluminação pública.
Um apartamento arrematado por 200 mil reais pode ter 50 mil reais em dívidas condominiais acumuladas. Essa informação nem sempre está clara no edital. O comprador descobre a dívida somente após pagar o imóvel, quando já é tarde demais para desistir.
Pense assim: é como comprar uma casa com goteiras que só aparecem quando chove forte. Você não vê o problema na hora da compra, mas ele existe e vai custar caro para resolver.
Documentação Irregular ou Incompleta
Problemas na documentação representam o risco mais técnico e perigoso. A matrícula do imóvel funciona como um histórico completo, registrando proprietários anteriores, dívidas, penhoras, usufrutos e qualquer gravame que pese sobre o bem.
Problemas documentais comuns incluem matrícula desatualizada há anos, divergências entre área real e área registrada, penhoras não baixadas de processos antigos, usufruto ou direito de habitação de terceiros, cadeia dominial quebrada (histórico incompleto de proprietários) e imóvel em inventário não finalizado.
Em São Paulo, a verificação de matrícula deve ser feita no Registro de Imóveis da região onde o bem está localizado. Cada cartório tem sua própria base de dados. Uma matrícula problemática pode tornar o imóvel impossível de vender ou financiar no futuro, transformando o investimento em prejuízo total.
Imóvel Ocupado: O Risco Mais Caro
A ocupação é considerada o maior obstáculo prático em leilões imobiliários. Muitos imóveis leiloados têm pessoas morando: antigos proprietários que perderam o bem, inquilinos com contratos válidos, posseiros ou até invasores.
Os cenários de ocupação mais comuns são ex-proprietário que se recusa a sair, inquilino com contrato de locação vigente que deve ser respeitado até o fim, familiares do devedor original que alegam direito de moradia, ocupação irregular por invasores e imóveis comerciais com empresas operando.
A desocupação exige ação judicial de imissão na posse, processo que demora entre 6 meses e 2 anos. Durante esse período, você já pagou pelo imóvel mas não pode usá-lo nem alugá-lo. Os custos do processo judicial incluindo advogado, custas, oficial de justiça e eventual despejo forçado podem chegar a 15 mil reais ou mais.
Exemplo real: um investidor arremata apartamento por 180 mil reais acreditando ter feito um bom negócio. O imóvel está ocupado. Ele gasta 12 mil reais com advogado e processo judicial, espera 14 meses para conseguir a posse, e descobre que o apartamento foi depredado pelos ex-moradores. O negócio virou pesadelo financeiro e emocional.
Estado de Conservação Desconhecido
Na maioria dos leilões não é possível vistoriar o interior do imóvel. Você está comprando às cegas. O que parece uma casa bem conservada por fora pode esconder problemas estruturais graves.
Defeitos comuns descobertos após a compra são infiltrações severas em paredes e tetos, instalação elétrica irregular ou perigosa, problemas hidráulicos como vazamentos e tubulação velha, rachaduras estruturais na fundação, infestação de cupins ou pragas, mofo e umidade generalizados e necessidade de trocar piso, azulejos, portas e janelas.
Uma reforma completa pode custar 30% a 50% do valor do imóvel. Aquele apartamento de 200 mil reais pode precisar de mais 80 mil reais em reformas urgentes. Some isso aos custos de cartório, impostos e desocupação, e o desconto desaparece completamente.
Dificuldades para Financiar
Bancos são extremamente restritivos com imóveis de leilão. A maioria das instituições financeiras simplesmente não financia, e as poucas que aceitam impõem condições desfavoráveis.
As limitações bancárias incluem apenas 2 ou 3 bancos no Brasil que financiam imóveis de leilão, taxa de juros até 2% maior que financiamento tradicional, entrada mínima de 50% em vez dos 20% convencionais, prazo máximo de 15 anos em vez de 35 anos, análise de crédito mais rigorosa e exigência de imóvel desocupado com documentação perfeita.
Muitos arrematantes descobrem essa limitação tarde demais: dão o lance, ganham o leilão, mas não conseguem pagar dentro do prazo porque contavam com financiamento. O resultado é perda do lance, multa e proibição de participar de novos leilões.
Vícios Ocultos e Defeitos Estruturais
Vícios redibitórios são defeitos graves que tornam o imóvel inadequado para uso ou reduzem drasticamente seu valor. São problemas invisíveis na superfície mas devastadores na prática.
Exemplos de vícios redibitórios incluem contaminação do solo por produtos químicos, problemas na fundação que comprometem a estrutura, irregularidades que impedem habite-se ou alvará, construção em área de risco ou proteção ambiental e impedimentos legais para reforma ou ampliação.
Em compras tradicionais, o vendedor responde por vícios ocultos. Em leilões, essa proteção é limitada ou inexistente. O edital frequentemente contém cláusula afastando a responsabilidade por vícios. Você compra no estado em que se encontra e assume todos os riscos.
Questões Tributárias Complexas em 2026
A carga tributária na compra de imóvel em leilão envolve impostos que muitos compradores esquecem de calcular. Em 2026, com as mudanças da reforma tributária em discussão, essa complexidade aumentou.
Os tributos obrigatórios são ITBI que representa 2% a 3% sobre o valor venal em São Paulo, comissão do leiloeiro de 5% sobre o valor de arremate paga pelo comprador, taxas de cartório para registro, certidões e escritura que variam de 3 mil a 8 mil reais, custas judiciais em leilões judiciais e IRPF sobre ganho de capital se revender com lucro.
Um imóvel arrematado por 300 mil reais pode gerar custos tributários e burocráticos de 40 mil a 50 mil reais adicionais. Esse valor precisa estar disponível imediatamente, pois os prazos para pagamento são rígidos.
Prazos Rígidos e Penalidades Severas
Leilões seguem regras inflexíveis que não perdoam atrasos. Diferente de uma compra comum, onde você negocia prazos com o vendedor, no leilão os prazos são impostos e as penalidades são automáticas.
Os prazos críticos são pagamento do lance entre 24 horas a 15 dias conforme o leilão, pagamento da comissão do leiloeiro de forma imediata, quitação de saldo em 30 dias após a arrematação e apresentação de documentos conforme edital.
As penalidades por descumprimento incluem perda total do valor já pago, multa de 10% a 20% sobre o valor do lance, inclusão em cadastro de inadimplentes, proibição de participar de leilões por 5 anos e execução judicial para cobrar valores devidos.
Um arrematante que não paga no prazo pode perder 50 mil reais de sinal e ainda ser executado judicialmente por mais 30 mil reais de multa. Não há espaço para renegociação ou flexibilidade.
Fraudes e Golpes em Leilões Online
O crescimento dos leilões digitais trouxe praticidade mas também abriu espaço para golpes sofisticados. Criminosos criam sites falsos que imitam plataformas legítimas de leilão.
Golpes comuns incluem sites falsos de leilão que copiam design de plataformas reais, imóveis inexistentes anunciados com preços tentadores, leiloeiros falsos que emitem boletos fraudulentos, documentos forjados apresentados como autênticos e esquemas de phishing para roubar dados bancários.
Sempre verifique se o leilão é oficial conferindo no site do tribunal ou da instituição financeira. Leiloeiros precisam ser credenciados pela Junta Comercial. Desconfie de ofertas boas demais e nunca pague sem confirmar a legitimidade do leilão.
Custos Ocultos que Destroem a Rentabilidade
Além dos custos óbvios, existem despesas que aparecem apenas após a arrematação. Esses custos ocultos podem transformar um investimento aparentemente lucrativo em prejuízo.
Custos frequentemente esquecidos são honorários advocatícios de 3% a 5% do valor para acompanhamento, despesas com ação de desocupação de 8 mil a 15 mil reais, reformas emergenciais de 15% a 40% do valor do imóvel, contas de água, luz e gás acumuladas, regularização de obras ou ampliações irregulares, atualização de IPTU quando o valor venal está defasado e seguro do imóvel durante período de desocupação.
A soma desses custos pode representar 40% a 60% adicional sobre o valor de arremate. Um imóvel de 200 mil reais pode ter custo real de 300 mil reais ou mais. Sem esse cálculo prévio, o investidor acredita ter lucro quando na verdade está tendo prejuízo.
Checklist: O Que Verificar Antes de Dar Seu Lance
Fazer verificações completas antes de participar do leilão é a única forma de evitar surpresas desagradáveis. Este checklist organiza as informações essenciais que você precisa coletar.
Análise do Edital
O edital é o documento mais importante do leilão. Ele contém informações essenciais sobre o imóvel, condições de venda e regras do leilão. Leia com atenção extrema, preferencialmente com auxílio de profissional especializado.
Pontos críticos no edital incluem descrição completa do imóvel com área, matrícula e endereço exato, situação de ocupação se está ocupado ou desocupado, débitos conhecidos que serão transferidos ao comprador, valor mínimo de lance e forma de pagamento, prazos para pagamento e documentação, responsabilidades do arrematante e cláusulas de exclusão de responsabilidade.
Pesquisa Documental Completa
A documentação do imóvel revela sua verdadeira situação jurídica. Essa pesquisa deve ser feita antes de dar qualquer lance, nunca depois.
Documentos essenciais para verificar são matrícula atualizada do imóvel pedida no Cartório de Registro de Imóveis, certidão de ônus reais que indica penhoras, hipotecas e usufrutos, certidão negativa de débitos municipais para verificar IPTU, certidão do condomínio com histórico de 5 anos, certidão de ações judiciais envolvendo o imóvel, plantas aprovadas na prefeitura e habite-se ou alvará de funcionamento.
Em São Paulo, você pode solicitar certidões online pelo site do Registro de Imóveis do Estado de São Paulo ou presencialmente no cartório da região. Cada certidão custa entre 50 e 150 reais. Invista esses 500 reais em certidões antes de investir 200 mil reais no imóvel.
Vistoria do Imóvel
Sempre que o edital permitir, visite o imóvel pessoalmente. Se a visitação interna não for possível (comum em imóveis ocupados), ao menos visite a vizinhança e observe o exterior.
O que observar na vistoria: estado geral de conservação incluindo paredes, teto e piso, sinais de infiltração ou umidade, funcionamento de instalações elétricas e hidráulicas, estrutura do prédio verificando rachaduras e fachada, vizinhança e infraestrutura da região, acesso e segurança do local e documentação do condomínio como atas e convenção.
Contratar um engenheiro ou arquiteto para vistoria técnica pode custar de 1.500 a 3.000 reais mas o investimento vale a pena se o valor do imóvel justificar. Um profissional identifica problemas estruturais que leigos não percebem.
Cálculo Real de Viabilidade
Antes de dar seu lance, faça um cálculo completo do investimento. Use planilha para não esquecer nenhum custo.
A fórmula do custo real é: Valor do Lance + 5% comissão + 3% ITBI + 2% cartório + Débitos + Desocupação + Reformas.
Exemplo prático de cálculo:
- Valor do lance: 200 mil reais
- Comissão leiloeiro (5%): 10 mil reais
- ITBI (3%): 6 mil reais
- Cartório (2%): 4 mil reais
- Débitos condominiais: 15 mil reais
- Desocupação judicial: 12 mil reais
- Reformas emergenciais: 30 mil reais
- Custo Total Real: 277 mil reais
Compare esse custo real com o valor de mercado do imóvel. Só vale a pena se houver diferença significativa, no mínimo 20% de desconto real.
Leilões em São Paulo: Particularidades e Cuidados
São Paulo concentra o maior volume de leilões imobiliários do Brasil. A capital paulista tem particularidades que precisam ser conhecidas por quem pretende arrematar imóveis na região.
Os leilões em São Paulo acontecem em diferentes locais e plataformas. Leilões judiciais são realizados pelos Tribunais de Justiça de São Paulo, enquanto leilões extrajudiciais de bancos ocorrem em plataformas online autorizadas. As principais plataformas incluem Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, leiloeiros credenciados e sites especializados.
As regiões com mais leilões são Zona Sul com maior concentração de imóveis, Zona Leste com oportunidades com preços menores, Centro com imóveis comerciais e Região Metropolitana incluindo Guarulhos, Santo André e São Bernardo.
Cada região de São Paulo tem seu Cartório de Registro de Imóveis específico. Para verificar a matrícula, você precisa saber qual cartório registra o imóvel. Essa informação consta no edital do leilão. Os principais cartórios em SP são 1º RI para Centro e Sé, 2º RI para Zona Sul e Jardins, 3º RI para Zona Leste e 4º RI para Zona Oeste e Pinheiros.
O registro da arrematação também deve ser feito no cartório competente. Os custos e prazos variam por cartório, mas geralmente levam de 30 a 60 dias para conclusão.
Como Calcular o Custo Real do Imóvel
| Item de Custo | Percentual ou Valor | Exemplo em 200 mil reais | Obrigatório? |
|---|---|---|---|
| Valor do lance | 100% | 200.000 reais | Sim |
| Comissão leiloeiro | 5% | 10.000 reais | Sim |
| ITBI | 2 a 3% | 6.000 reais | Sim |
| Cartório e registro | 1 a 2% | 4.000 reais | Sim |
| Certidões | 500 a 1.000 reais | 800 reais | Sim |
| Honorários advocatícios | 3 a 5% | 8.000 reais | Recomendado |
| Débitos condominiais | Variável | 0 a 50.000 reais | Se houver |
| Desocupação judicial | 8 a 15 mil reais | 12.000 reais | Se ocupado |
| Reformas | 15 a 40% | 40.000 reais | Comum |
| CUSTO TOTAL | 140 a 175% | 280.800 reais | – |
Este exemplo mostra que um imóvel arrematado por 200 mil reais pode custar efetivamente 280 mil reais considerando todos os gastos. Compare sempre com o valor de mercado (venda direta) antes de decidir.
Passo a Passo para Comprar com Segurança
Seguir um processo estruturado reduz significativamente os riscos e aumenta suas chances de fazer um bom negócio. Cada etapa tem sua importância e não deve ser pulada.
Antes do Leilão
Defina seu perfil e orçamento estabelecendo quanto pode investir incluindo todos os custos extras, não apenas o valor do lance. Pesquise leilões disponíveis acompanhando sites oficiais de tribunais, bancos e leiloeiros credenciados.
Selecione imóveis potenciais escolhendo 3 a 5 imóveis que atendam seu critério e localização desejada. Analise os editais lendo cada um completamente e identificando condições, débitos informados e prazos.
Faça pesquisa documental solicitando matrícula, certidões e documentos nos cartórios competentes. Visite os imóveis sempre que o edital permitir, fazendo vistoria presencial ou contratando profissional.
Calcule viabilidade usando a fórmula apresentada para comparar custo real versus valor de mercado. Consulte profissional especializado em direito imobiliário para analisar documentação e orientar sobre riscos específicos.
Durante o Leilão
Cadastre-se com antecedência porque leilões online exigem cadastro prévio com envio de documentos. Defina lance máximo estabelecendo previamente o valor máximo que pode pagar e não ultrapasse por emoção.
Acompanhe outros lances observando comportamento de outros interessados para entender se há algo que você não percebeu. Dê lances estratégicos evitando revelar seu interesse máximo nos primeiros lances.
Se vencer, confirme arrematação imediatamente e solicite todas as informações sobre pagamento.
Depois da Arrematação
Efetue pagamento no prazo para evitar multas e perda do lance. Obtenha carta de arrematação que é o documento que comprova a compra e autoriza registro.
Registre no cartório levando a carta de arrematação ao Registro de Imóveis para transferir propriedade. Se ocupado, inicie desocupação contratando advogado para ação de imissão na posse imediatamente.
Regularize débitos quitando IPTU, condomínio e outras pendências para evitar cobranças. Planeje reformas orcando e agendando antes de usar ou alugar o imóvel.
O Papel da Assessoria Jurídica Especializada
A complexidade jurídica envolvida em leilões de imóveis exige conhecimento técnico que a maioria dos compradores não possui. Diferente de uma compra tradicional onde o processo é mais simples e padronizado, leilões envolvem análise detalhada de documentos, interpretação de editais com termos específicos e conhecimento de procedimentos judiciais.
Um profissional com experiência em direito imobiliário oferece suporte em várias frentes. Na fase pré-leilão, realiza análise detalhada do edital identificando cláusulas que podem representar riscos, verifica toda a documentação do imóvel incluindo matrícula e certidões, pesquisa ações judiciais e pendências que não aparecem em certidões simples e avalia riscos específicos de cada imóvel considerando histórico e situação atual.
Durante e após o leilão, o profissional acompanha os procedimentos burocráticos, orienta sobre prazos e obrigações, desenvolve estratégia para desocupação caso o imóvel esteja ocupado, atua na defesa contra vícios ocultos e problemas descobertos após a compra e conduz a regularização de documentação e registro no cartório.
O investimento em assessoria especializada varia entre 3% e 5% do valor do imóvel. Embora pareça um custo adicional significativo, esse suporte pode evitar prejuízos muito maiores decorrentes de erros na análise ou problemas não identificados previamente. Muitos investidores experientes consideram essa assessoria como parte essencial do investimento, não como custo opcional.
Procure orientação profissional antes de dar seu lance, não depois de arrematar. A prevenção é sempre mais eficiente que a solução de problemas já instalados.
Leilão Vale a Pena? Quando Compensa o Risco
Comprar imóvel em leilão pode ser excelente oportunidade quando feito com conhecimento e preparo adequado. A chave está em entender que o desconto no preço existe justamente para compensar os riscos assumidos.
Vale a pena quando você tem reserva financeira para cobrir imprevistos no mínimo 30% adicional ao lance, o desconto real após todos os custos é superior a 25% do valor de mercado, você conta com assessoria jurídica e técnica especializada, tem tempo e paciência para lidar com burocracia e possíveis processos, o imóvel se encaixa em estratégia de longo prazo e você está comprando desocupado ou tem experiência com desocupação.
Não vale a pena quando você precisa do imóvel imediatamente para morar, seu orçamento é apertado sem margem para custos extras, não tem conhecimento jurídico nem recursos para contratar assessoria, o imóvel apresenta muitos problemas documentais, o desconto é pequeno menor que 20% do valor de mercado ou você está comprando por impulso sem pesquisa prévia.
Leilões são adequados para investidores com perfil arrojado, não para quem busca simplicidade. Se você não se sente confortável com complexidade jurídica e possibilidade de litígios, pode ser mais vantajoso comprar pelo mercado tradicional pagando um pouco mais pela segurança e tranquilidade.
Vai Comprar ou Vender um imóvel? Confira o artigo: Compra e Venda de Imóveis no Brasil: Guia Completo do Processo Legal.
Este artigo fornece informações gerais sobre a legislação brasileira e não constitui orientação jurídica específica. Para decisões importantes envolvendo transações imobiliárias, consulte sempre um advogado especializado em direito imobiliário.
NR Advogados Imobiliários
Perguntas Frequentes Sobre Riscos de se Comprar Imóvel em Leilão
O que acontece se eu arrematar mas não conseguir pagar no prazo?
Você perderá todo o valor já depositado, pagará multa de 10% a 20% sobre o lance e ficará impedido de participar de novos leilões por até 5 anos. Além disso, poderá ser executado judicialmente para pagar a diferença entre seu lance e o valor pelo qual o imóvel for arrematado no próximo leilão. Nunca dê lance sem ter o dinheiro garantido.
É possível financiar imóvel comprado em leilão?
Sim, mas é muito difícil. Poucos bancos no Brasil financiam imóveis de leilão, e os que aceitam exigem entrada de 50%, juros mais altos e prazo menor que financiamento tradicional. A maioria dos leilões exige pagamento à vista em 15 a 30 dias, tempo insuficiente para aprovar financiamento. Confirme a disponibilidade de crédito antes de arrematar.
Sou obrigado a pagar as dívidas de condomínio do antigo dono?
Sim. Dívidas condominiais seguem o imóvel por força de lei. O novo proprietário assume automaticamente débitos de condomínio pendentes, independentemente de quem os gerou. O mesmo vale para IPTU atrasado. Já dívidas pessoais do antigo dono como cartão de crédito e empréstimos não são transferidas.
Como saber se o imóvel está ocupado antes de arrematar?
Nem sempre é possível saber com certeza. Alguns editais informam a situação de ocupação, mas essa informação pode estar desatualizada. Visite o endereço pessoalmente antes do leilão, converse com vizinhos e observe sinais de ocupação como roupas no varal, luzes acesas e movimentação. Considere que qualquer imóvel pode estar ocupado até prova ao contrário.
Quanto tempo demora para desocupar um imóvel arrematado?
Entre 6 meses e 2 anos em média. O prazo depende de vários fatores: se o ocupante sai voluntariamente ou resiste judicialmente, qual vara judicial recebe o processo, se há recursos e se o ocupante alega direito de moradia. Processos rápidos resolvem em 6 meses, mas casos complexos podem durar anos. Nunca conte com posse imediata.
Quais documentos devo pedir antes de dar meu lance?
Solicite matrícula atualizada no Cartório de Registro de Imóveis, certidão de ônus reais, certidão negativa de débitos municipais na prefeitura, certidão do condomínio com 5 anos de histórico e certidão de distribuição cível e criminal envolvendo o imóvel. Também peça plantas aprovadas e habite-se na prefeitura. O investimento total em certidões fica entre 500 e 1.000 reais.
Posso desistir depois de arrematar?
Não. A arrematação é irrevogável e irretratável. Ao dar o lance vencedor você está legalmente obrigado a concluir a compra. Desistir significa perder o valor depositado, pagar multa pesada e ainda poder ser executado judicialmente pela diferença. Só dê lance se tiver absoluta certeza que pode e quer concluir a compra.
Leilão online é seguro ou tem muitos golpes?
Leilões online oficiais são seguros quando realizados por plataformas credenciadas. Verifique sempre se o leilão é legítimo consultando site oficial do tribunal ou banco. Desconfie de sites desconhecidos, leiloeiros sem credenciamento e ofertas boas demais. Use apenas plataformas recomendadas por órgãos oficiais e confirme identidade do leiloeiro na Junta Comercial.
Qual o prazo mínimo de reserva financeira recomendado?
Tenha reserva de pelo menos 40% adicional ao valor do lance. Se vai arrematar por 200 mil reais, disponha de 280 mil reais considerando comissões, impostos, cartório, reformas e imprevistos. Sem essa reserva, você corre risco de não conseguir pagar todos os custos e ter prejuízo. A reserva deve estar líquida e disponível, não comprometida.
Vale mais a pena primeiro ou segundo leilão?
Depende. O primeiro leilão tem preço mínimo mais alto mas atrai menos interessados dispostos a pagar. O segundo leilão aceita lances menores mas concentra investidores experientes que conhecem o imóvel. Se você fez boa pesquisa, o segundo leilão pode oferecer melhor desconto. Se o imóvel é muito bom, provavelmente será arrematado no primeiro.
